Ignorância ou mentira deliberada? Projeto para "Casa da Igreja" não cumpriria o caderno de encargos do REVIVE.

O Jornal Terras de Basto fez hoje notícia com a intervenção de Bruno Ferreira na última Assembleia Municipal. De acordo com a publicação, foi uma intervenção extensa e preparada para o momento. Foi uma autêntica encenação.

Bruno Ferreira, sem argumentos para defender a intervenção das iniciativas que têm sido levadas a cabo para assegurar a preservação, decidiu encenar uma comparação: comparou o "seu" projeto para a Casa da Igreja, com um caderno de encargos elaborado no mandato anterior, que definia os critérios a cumprir por parte dos interessados no concurso do REVIVE.

Disse Bruno Ferreira que o "seu" projeto cumpriria o caderno de encargos do REVIVE. É falso! Vejamos apenas alguns exemplos:

Impressão da publicação do Jornal Terras de Basto

a) Destaquemos desta declaração o respeito pela identidade do imóvel "nomeadamente a volumetria". Bruno Ferreira diz que cumpre. Pois bem, um dos maiores atentados ao património, resulta exatamente da ampliação da casa com um novo volume de 400m2, com um pé direito superior ao da cobertura da Casa da Igreja. Como pode alguém afirmar que respeita a volumetria com esta intervenção? (Ver imagens).


Planta da Casa da Igreja. A verde a volumetria atual. A vermelho o novo volume.


Alçados da proposta para a Casa da Igreja. A vermelho, os novos volumes.

Este "não cumprimento" seria suficiente para desmascarar toda a encenação. Mas vejamos mais dois. 

Impressão da publicação do Jornal Terras de Basto

Impunha o caderno de encargos do REVIVE, uma intervenção que assegurasse "a sua integridade". A proposta de Bruno Ferreira para a Casa da Igreja, pura e simplesmente, arrasa quase todas as atuais divisões para adaptar o imóvel aos novos usos. Isso é evidente através da planta, apelidada de vermelhos e amarelos, em que os amarelos representam tudo o que será demolido, e os vermelhos o que será construído. Atentem na imagem extraída do projeto. Extraímos apenas uma parte do projeto, neste caso a ala direito, que atualmente acolhe os escuteiros, para melhor visualizarem o que é demolido (linhas amarelas) e o que é construído (linhas vermelhas). É apenas um exemplo do que sucede no restante imóvel. 

Imagem da planta, parcial, extraída do projeto para a Casa da Igreja.

Perante isto, fica claro que a integridade do imóvel não é assegurada. Fica apenas a fachada, tal como já temos vindo a referir.  Desmontemos apenas mais um dos pontos da encenação. 

Impressão da publicação do Jornal Terras de Basto

Diz Bruno Ferreira, que o projeto preserva e conserva os elementos arquitetónicos notáveis. Será assim? O novo volume de 400m2, atrás referido, é construído exatamente, por cima de um dos "elementos arquitetónicos notáveis", nada mais, nada menos, que o pátio e alpendre desenhados por Fernando Távora. E este apenas mais um exemplo.

O mesmo exercício pode ser feito, a qualquer momento, para todos os pontos enunciados por Bruno Ferreira. Na realidade, a proposta atual, não cumpre a grande maioria dos critérios a observar previstos no caderno de encargos do REVIVE. É falso que o projeto tenha sido acompanhado por equipa multidisciplinar, concretamente na área do património; é falso que uma possível piscina fosse mais intrusiva que o miradouro proposto. Bruno Ferreira voltou a faltar à verdade - deliberado ou por ignorância? - nenhuma das opções é boa.

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