Centro de Recolha Oficial vai custar 440 mil Euros

Foi publicado o concurso para a construção do Centro de Recolha Oficial (CRO) de Mondim de Basto, com um valor base de 416 Mil Euros mais IVA (440 Mil Euros). Com esta passo, o executivo PSD insiste no erro de colocar este equipamento num local sem acessos e sem infra-estruturas, em suma, sem o mínimo de condições para o receber

Fica claro o erro que está a ser cometido, quando se constata que para viabilizar a construção naquele local, foi necessário recorrer a um expediente excecional. Pelas regras do PDM, esta construção não seria possível no referido local. Para ultrapassar essa condicionante, o Presidente Bruno Ferreira, apresentou em reunião de Câmara do dia 16 de agosto uma proposta (ver p.13) de reconhecimento do interesse do CRO para o município, e assim, permitir a referida construção que em situação normal estaria impedida. O PS votou contra, por considerar uma escolha absurda.

Vivemos hoje numa autarquia opaca, que projeta à porta fechada, não partilha nem ausculta a sociedade mondinense, numa atitude completamente contrária ao que recomendam as boas práticas democráticas atuais. Os vereadores do PS nunca tiveram acesso a qualquer projeto, e por isso, o lançamento do concurso e a publicação obrigatória do projeto permitiram, também ao PS, ter acesso pela primeira vez ao projeto do CRO. 

A primeira surpresa foi o valor do investimento. 440 Mil Euros é um valor excessivo, sem paralelo em idênticos equipamentos em Concelhos da mesma dimensão que Mondim de Basto. Mas esta é mais uma das imagens de marca do executivo PSD. Há muito dinheiro e pouco juízo. O dinheiro público é gerido como se não houvesse limites, as obras são faraónicas, sobre-dimensionadas, vão além do essencial, num momento em que ainda há tanto por fazer. Não será de estranhar, com estes gastos excessivos, e apesar de ter muito mais dinheiro disponível, que o executivo PSD tenha de recorrer ao endividamento bancário para fazer a manutenção das estradas do Concelho.


Em segundo lugar, o facto de o projeto mostrar a diferença entre um CRO e um canil (ver imagem acima), e dessa forma, ajudar a perceber o absurdo da localização. O CRO de Mondim de Basto terá, para além das celas dos animais, uma sala polivalente, um gabinete administrativo, uma enfermaria e uma sala de esterilização. É por isso um espaço de alojamento temporário de animais, mas também de prestação de serviços. Ao CRO, terão de deslocar-se os funcionários da autarquia (verterinário(a), operacionais de limpeza e manutenção e, talvez, assistentes técnicos), os munícipes que recorram aos serviços, todos os que tenham intenção de adoptar um animal e todos os voluntários que, já hoje, se disponibilizam para dar parte do seu tempo para a causa do bem estar animal. Todos eles terão que percorrer mais de um quilómetro em caminho florestal, com fracas condições, e por isso, pouco acessível.

Em terceiro e último lugar, importa reforçar que a ausência de infra-estruturas, faz-se notar na acessibilidade, já referida, mas também ao nível dos serviços como a água, que vai obrigar a estender uma conduta por mais de um quilómetro; o saneamento, inexistente, e por isso o projeto prevê uma fossa estanque para acomodar as águas resultantes das lavagens diárias das celas dos animais e outras; e a energia eléctrica, que à distância que se encontra, certamente exigirá a construção de um posto de transformação. Tudo isto, investimentos a somar aos 440 Mil Euros previstos na empreitada agora lançada a concurso.

O PS de Mondim de Basto entende que o CRO é um equipamento necessário, mas considera um erro a dimensão e o consequente valor investido, com a agravante de a obra ser feita num local completamente absurdo.

Popular posts from this blog

Em causa o futuro da Casa da Igreja

Ignorância ou mentira deliberada? Projeto para "Casa da Igreja" não cumpriria o caderno de encargos do REVIVE.

Descontrolo orçamental, leva a corte em obras essenciais.